Publicado Quarta, 13 de Janeiro de 2021 ás 10:44 - Atualizado 13/01/2021 ás 10:44

Nova reestruturação atenta contra caráter público do BB

 

Postado em 11 de janeiro de 2021 por Clóvis Victória.

Anúncio de plano impõe fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público bem ao gosto de uma gestão que não se preocupa com as vidas de quem trabalha duro na pandemia.

 

O Banco do Brasil expôs a marca da maldade de quem não tem respeito por seus funcionários nem por seu caráter público. De um só golpe, o banco anunciou na manhã da segunda-feira, 11/1, aquela que já está sendo considerada a pior reestruturação deste século e só comparada à jornada de desmonte de empresas públicas realizada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nos anos 1990.

Foi uma surpresa macabra, um anúncio bem ao estilo de gestão que não se preocupa nem com a vida dos trabalhadores(as) que estão dando duro nas agências em plena pandemia de Covid-19 e tem a ver com a política de desmonte do governo de Jair Bolsonaro sob a batuta do ministro da economia Paulo Guedes. Os dois estão fazendo de tudo para apequenar o Banco do Brasil: querem que ele passe do status de maior banco do país para um banquinho.

Numa tacada bandida, o Banco do Brasil anunciou um pacote que inclui Plano de Demissão Voluntária (PDV) para dispensar 5 mil funcionários da ativa, fim da função de caixas executivos e fechamento de agências em todo o país.

O SindBancários avisa aos colegas que já colocou sua assessoria jurídica em prontidão para estudar as regras do PDV e os desdobramentos regulatórios da nova reestruturação e preparar algum tipo de ação jurídica de combate a essas práticas. O departamento de saúde também está à disposição dos colegas que precisarem de ajuda.

A diretora do SindBancários e funcionária do Banco do Brasil, Bianca Garbelini, participou da reunião Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) na manhã desta segunda-feira. A indignação de dirigentes foi geral, assim como o pânico entre os colegas se espalhou em todo o país. O SindBancários já está mobilizado para buscar reverter a implantação da decisão anunciada a partir de fevereiro.

“Não tem como destacar uma maldade como sendo a pior. Tudo é gravíssimo. O banco chegou a se recusar a fornecer dados ou detalhar processos na reunião com os dirigentes sindicais. Vamos precisar muito da participação dos colegas. O Sindicato está à disposição para quem quiser denunciar pressões e perseguições”, anunciou Bianca.

Fechamento de agências

O plano prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos.

Também estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização de 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios.

Desligamentos

O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos. O objetivo é extinguir 5 mil empregos.

O Sindicato ainda não recebeu nenhum informação sobre as regras dos dois programas. Assim que houver informação por parte do Banco do Brasil, o Sindicato atuará juridicamente, seja por meio de ação, seja prestando esclarecimentos.

O fim dos caixas executivos

O Banco do Brasil anunciou que vai fazer mudanças no atual modelo de remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver. Na prática, o banco oficializa a figura do “caixa eventual”.

“O anúncio dos caixas veio com requinte de crueldade. Os caixas executivos não serão mais caixas executivos. Os colegas perdem a gratificação de função. Ora, os colegas passaram a pandemia toda trabalhando, temendo pela própria vida e da família em condições muito estressantes e o banco não mostra nenhuma humanidade e reconhecimento. Tem muito colega que vai sofrer perda de metade do salário. Não tem mais o salário garantido”, acrescentou a diretora Bianca Garbelini.

Desrespeito com os funcionários

“Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje [segunda, 11/1], as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).

Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado para não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga.

Ataque à categoria, privatização e calendário de lutas

Participaram da reunião desta segunda-feira, 11/1, vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. O plano de restruturação foi considerado um ataque à categoria e pode causar, na prática, a redução do papel do Banco do Brasil como banco público, com o fechamento de agências em diversas cidades do país.

A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira, 13/1, para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

Denuncie ao Sindicato

Nunca é demais dizer que o Sindicato está sempre à disposição. Caso você queira fazer alguma denúncia sobre pressão para entrar em PDV, aceitar transferência compulsória ou já ser retirado da função de caixa executivo, não hesite. Entre em contato com o Sindicato. Você pode fazer uma denúncia pelo formulário clicando bit.ly/bancariodenuncie. Você não precisa se identificar.